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A FOME BRASILEIRA

A FOME BRASILEIRA

Durante a década de 1950, começava a febre do fast-food nos Estados Unidos, com uma inspiração na linha de produção de Henry Ford da indústria automobilística. A maneira de se tratar o alimento como uma mercadoria rápida e barata ganhou o mundo com a mesma rapidez de um Big Mac, com refrigerante e fritas, mas sem gelo no refri, por favor! Sem picles também.

Questões de como as cores afetam nossas emoções começaram a ser levantadas e foram relacionadas com comportamentos e percepções diferentes a cada estímulo. No marketing, foram usadas para criar identidades visuais e influenciar os consumidores (SILVIA 2025).

Assim, a publicidade, o marketing e os estudos do comportamento se voltaram a esse mercado, com a intenção de trazer atrativos que fazem com que as pessoas consumam mais de tal produto. Isso nasce uma estratégia agressiva, como, prometer o seu lanche em menos de 1 minuto.

 Ou algo mais sutil, como o slogan ou as cores deste lugar. Agências como a de J. Walter Thompson e a McCann-Erickson eram contratadas para pesquisas sobre cores para publicidade. Nesse período, redes como McDonald’s e Burger King padronizaram o uso do vermelho e do amarelo para estimular o apetite e criar reconhecimento visual. Teria sido descoberta a cor, ou as cores, da fome.

Já no Brasil, na mesma época era publicado “Quarto de Despejo: o diário de uma favelada”, onde o jornalista Audálio Dantas descreve o diário de Carolina Maria de Jesus, como irritante a consistência da fome relatada, segundo o mesmo. Carolina descobre a cor do seu dia a dia quando a fome atingia seu limete, o Amarelo. Passava das 100 mil edições seu diário, um número gigantesco para a época. Dessa forma, o diário de Carolina Maria de Jesus se tornava um retrato da sobrevivência brasileira em 1950 e 1960. Agora, depois de tanto tempo, qual é a nossa realidade?

Teremos que esperar uma outra Carolina Maria de Jesus para nos ensinar a cor da fome?

Carolina relata que “já está tão habituada com as latas de lixo, que não consegue passar sem ver o que há dentro” (Quarto de Despejo, 1960).

Assim, trago o pensamento para o nosso contexto. No entanto, muitos se comparam nosso pais ao norte americano, mas vemos que a nossa lógica das necessidades básicas e sobrevivência, não é uma questão de produto ou acumulo de capital.

Nós nos compadecemos do jeito mercantilista e compulsivo de produção, que nos ao alimento como produto, para aumento de capital.

Ou o jeito brasileiro de se tratar o alimento, se aproxima de Carolina Maria de Jesus, de uma necessidade física e de sobrevivência.

Qual é a cor da fome no Brasil?

Fontes

JESUS, Carolina Maria de. Quarto de Despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960.

SILVA, Patrícia Layne Nere da. As cores no ambiente laboral: impacto nas emoções, saúde, bem-estar e produtividade dos trabalhadores. 2025. 24 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Têxtil) – Departamento de Engenharia Têxtil, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2025.